| Existem pelo menos sete definições diferentes para esse ponto da Terra | ||||||
| por Anne Casselman | ||||||
Primeiro, há uma cidade no Alasca que se chama “North Pole”, e que não fica nada próxima dos outros pólos norte (mas é coberta de neve e recebe muitas cartas endereçadas ao Papai-Noel). Depois, há o pólo norte geográfico, também conhecido como o “norte verdadeiro”. É o ponto no Oceano Ártico em que as linhas de longitude convergem nas águas cobertas de gelo que inúmeros exploradores buscaram alcançar para fincar sua bandeira nacional, começando em 1827 com contra-almirante britânico Sir Willian Edward Parry. Relacionado de certa forma com o pólo norte geográfico está o consideravelmente menos famoso pólo norte atual, onde o eixo rotacional da Terra encontra sua na superfície, assim como também o pólo norte celestial, onde o eixo é projetado na esfera celeste (em uma extensão imaginária). O pólo norte atual não é fixo. Na verdade, ele se move em um círculo irregular provocado pela “oscilação de Chandler” – batizada em homenagem ao astrônomo Seth Carlo Chandler, que descobriu em 1891 que nosso planeta oscila enquanto gira. Sua descoberta deu origem ao “pólo norte do equilíbrio”, que se encontra no centro desse círculo. O mesmo jargão pode se desdobrar em definições únicas, para não dizer pedantes. Sendo assim, embora todos compartilhem do mesmo termo “pólo norte”, cada um deles assume claramente seu próprio território semântico. Mas o mesmo não pode ser dito dos últimos dois “pólos norte” descritos neste artigo, e ambos estão relacionados ao verdadeiro campo magnético da Terra, gerado pelo movimento no interior do planeta. Esse movimento — afetado pela rotação da Terra — estabelece um gerador elétrico natural que sustenta o campo magnético. O pólo magnético descreve os dois locais (norte e sul) em que o campo magnético do planeta é vertical. Então, se você estiver sobre o pólo norte magnético com uma bússola, a agulha “mergulharia”, apontando para baixo – daí vem seu outro nome: pólo do mergulho magnético. No pólo sul magnético, a agulha da bússola apontaria para cima. Mas há um outro pólo norte em termos magnéticos: o pólo norte geomagnético. “O que é muito confuso é o fato de que há um pólo magnético e um pólo geomagnético, e que eles são diferentes”, afirma Stefan Maus, criador de modelos de campos geomagnéticos do Centro de Dados Geofísicos Nacionais do National Oceanic & Atmospheric Administration\\’s (NOAA), nos Estados Unidos. “Essa definição é histórica e ligeiramente obsoleta.” Os pólos geomagnéticos são quase um instrumento para reduzir o complexo e variado campo magnético da Terra a uma simples barra imantada ou dipolo. “A única coisa que realmente queremos é saber onde o campo é realmente vertical”, afirma Maus. “Esse outro pólo, que é apenas uma aproximação, geralmente não é muito útil e só confunde mais ainda.” Sendo assim, enquanto o pólo do mergulho magnético norte se encontra no norte do Canadá, o dipolo norte está aproximadamente na costa noroeste da Groenlândia. Mas o pólo geomagnético tem seu valor se você estiver no espaço, argumenta Jeffrey J. Love, geofísico do U.S. Geological Survey. Quanto mais longe da Terra, mais seu campo magnético realmente funciona como um dipolo ou uma barra imantada – mesmo se na realidade ele não for nada disso. “Um físico que estuda o espaço geralmente pensa em termos desse dipolo inclinado da Terra”, diz Love, “enquanto um navegador provavelmente estaria mais interessado nos mergulhos magnéticos”. Para confundir ainda mais a situação, os mergulhos magnéticos se movem — muitas vezes com freqüência diária. Nos últimos anos, o pólo norte magnético começou a se mover rapidamente em direção à Sibéria. Seu movimento anual acelerou de 10 a 50 quilômetros, Afirma Larry Newitt, cientista emérito do Geological Survey of Canada que determinou a localização do pólo em muitas expedições desde 1973. E há mais uma coisa para aumentar ainda mais a confusão quanto ao pólo norte magnético (vulgo pólo do mergulho magnético) em relação ao pólo geomagnético (vulgo dipolo): o pólo magnético no hemisfério norte da Terra age como o pólo sul de uma barra imantada. “Se você olhar para o pólo norte de uma barra imantada, verá linhas magnéticas saindo do pólo norte em direção ao pólo sul, mas na Terra acontece exatamente o oposto”, explica Maus. Sendo assim, o pólo norte magnético está onde as linhas do campo magnético da Terra são atraídas na direção ao planeta, agindo como o pólo sul de uma barra imantada. Do ponto de vista da física, a agulha voltada para o norte de uma bússola (ou de qualquer imã) aponta para o que é fisicamente – mas não no nome – o pólo magnético sul da Terra, ou seja, para a direção do Ártico. “O pólo norte de um imã é atraído pelo pólo [magnético] norte da Terra”, acrescenta Maus, ao contrário da situação comum em que pólos semelhantes dos imãs se repelem. “É por isso que alguns sugeriram que, para evitar essa confusão, deveríamos chamar o pólo norte magnético de ‘north seeking pole’ [pólo norte de busca].” Mas ainda não está claro se isso aumentará ou diminuirá a confusão. O que está claro é que – mesmo se tratando de Papai-Noel – é preciso ser muito preciso na hora de especificar exatamente ao que estamos nos referindo ao dizermos “pólo norte”. |
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6 Abr

Publicado por yuri em Março 4, 2009 às 1:31 pm
que interesante!!!!!!!!